COVID-19

Tecnologia para Monitoramento de Contatos e Aglomerações

Tempo de leitura: 6 min

Importante: este blog traz detalhamentos do que discutimos no artigo “Uma Estratégia Digital para a Retomada de Negócios no Novo Normal”. Recomendo sua leitura, antes de prosseguir!

O rastreamento de contágio é uma ação importante para entender e ajudar conter uma pandemia como a do novo coronavírus. Quanto antes, na cadeia, casos em potencial forem identificados, mais cedo é possível isolar suspeitos e interromper a típica escalada geométrica da disseminação.


Rastreamento de contatos (fonte: Trinidad & Tobago Weather Center).


Rastreamento de contatos por dispositivos móveis (Fonte: Google).

Mas o rastreamento de contatos, mesmo automatizado como nos exemplos do artigo, atua depois do contágio. Já o monitoramento de contatos e de aglomerações atua na raiz do problema, reduzindo a cadeia de contatos que leva aos contágios.

Sabemos que o período de reabertura dos negócios físicos, batizado de Novo Normal, se caracterizará dentre outras coisas pela onipresença dessas medidas de monitoramento. Locais pequenos resolvem o problema com processos manuais, mas a monitoria de um grande fluxo de pessoas, em certos segmentos de negócios, requer automação para ser efetiva. É o caso de aeroportos, rodoviárias, hospitais, faculdades/campi, shoppings, feiras/eventos, sedes corporativas e indústrias.


Serviços de localização por Bluetooth (fonte: Bluetooth SIG).

Em nosso artigo, discutimos porque algumas tecnologias de localização como o GPS e baseada em access points WiFi, já presentes em nossos smartphones, não se prestam ao rastreamento/monitoria de contato: além de acurácia entre 10m e 50m (precisamos entre 2m e 3m, para identificar contatos de risco), o GPS não funciona em espaços cobertos e a localização via access points WiFi é de uso restrito aos sistemas operacionais… de modo que os algoritmos de localização baseados no Bluetooth Low-Energy (BLE) se tornaram a “bola da vez”, permitindo acurácia suficiente, indoor e outdoor.

Com algumas ressalvas que explicaremos a seguir, é possível utilizar o BLE para calcular a distância entre dois dispositivos e identificar contatos com risco de contágio por algum critério como “aproximação por menos de 2m, por X segundos”. É também possível enviar alertas em tempo real para ambos os lados (um tipo básico de monitoramento que chamamos de “não gerenciado”) e registrar esses contatos em Big-Data, para possibilitar alertas de rastreamento posteriores, que são a base da iniciativa conjunta entre Apple e Google, anunciada para maio/2020.


Monitoria de contato por BLE não gerenciada, dispositivo-a-dispositivo.

Como fez o governo de Cingapura, é possível disponibilizar a solução acima, imediatamente, embutindo um SDK como o fornecido pela Zapt Tech em qualquer aplicativo. Para que a monitoria funcione, é preciso que o usuário instale e abra o aplicativo ao menos uma vez. Desde que esteja com o Bluetooth ligado, ele passa a receber os alertas de monitoria “não gerenciada” e também de risco de contágio (se um processo de rastreamento tiver sido estabelecido).

A identificação de contatos funciona mesmo que os usuários não estejam com o aplicativo aberto, entre dois dispositivos Android e entre Android e iOS. Devido a uma limitação do iOS, a identificação entre dois dispositivos iOS só funciona quando o aplicativo está em uso. Pode ser que essa limitação seja removida por consequencia da iniciativa conjunta da Apple com a Google, mas deixa algum percentual (em média, abaixo de 10%) de fora da monitoria, neste primeiro momento.

Monitoria de Contatos e Aglomerações Gerenciada

Se a Apple e Google já estão disponibilizando esses recursos no nível dos sistemas operacionais iOS e Android, por que isso me interessaria? Quando restringimos o escopo do problema a um espaço geográfico delimitado sob controle privado e um aplicativo do negócio, é possível aprimorar consideravelmente a solução de monitoramento de contatos e aglomerações, introduzindo um processo de gerenciamento proativo e preventivo, com diversas outras vantagens colaterais, discutidas no artigo que sugerimos na introdução.

A Zapt Tech suportou com sucesso o projeto “The Right Distance” do Programa iNO.VC ArcelorMittal, por exemplo, que já é um passo inovador neste sentido, implementado no Brasil. Vejamos como é possível replicar essa solução para outros segmentos…

Em eventos, sedes corporativas, indústrias, hospitais e faculdades, limitar o máximo de presentes será um ação inicialmente necessária, através de escalas alternadas de presença e outros arranjos… Mesmo existindo algum controle de acesso no local, como catracas, ponto, etc., o monitoramento automático por aplicativo contribui apontando se os presentes estão guardando o distanciamento recomendado, por exemplo, sentando-se de modo intercalado com cadeiras vazias, em um grande auditório.

Para disponibilizar uma solução gerenciada, além de embarcar o algoritmo via SDK no aplicativo do negócio, é preciso:

  • afixar beacons nas entradas, pontos de transição e diferentes setores do estabelecimento físico; e
  • configurar mapas de todos os seus pisos, para permitir monitoria e alertas georreferenciados (mapas de calor e alertas de formação de aglomerações, em tempo real, por setores).

Feito isso, tornam-se obrigatórias a instalação do aplicativo e a ativação do bluetooth para todos, enquanto transitam no local. Esse pré-requisito deve ser comunicado de modo claro, explicando inclusive que a monitoria é realizada de modo anônimo, em respeito à privacidade de todos.


Indicadores de aglomerações em mapas de calor.

Neste modelo gerenciado, é possível contabilizar os presentes e localizar aglomerações pelos diferentes setores de um grande complexo. Note que os contatos continuam sendo identificados e monitorados com base nos algoritmos “dispositivo-a-dispositivo”, mas agora de modo georreferenciado, representados em tempo real nos mapas do local. Com cerca de 30 a 40 beacons* é possivel cobrir um grande shopping-center com 3 pisos, com acurácia suficiente para segmentar as aglomerações por seção.

(*) Beacons são pequenos transmissores de sinais BLE, utilizados por algoritmos de posicionamento indoor.

Monitoria de Contatos e Aglomerações Gerenciada com IPS


Serviços digitais conscientes do contexto viabilizados pelo IPS.

Em um segundo momento, recomenda-se aumentar a malha de beacons para disponibilizar um IPS (Indoor Positioning System) no local, um “GPS Indoor” com acurácia de posicionamento superior, de 3 metros em média, que viabiliza serviços diferenciados também para o público. Para isso, em um local do porte exemplificado são necessários, em média, cerca de 200 beacons.

E, além de viabilizar serviços digitais inovadores, baseados em localização (contexto), a acurácia do IPS elimina a limitação entre dispositivos iOS, contribuindo ainda mais com o algoritmo de proximidade.

São muitas as possibilidades e cenários onde um monitoramento de contatos gerenciado e apoiado por serviços digitais pode contribuir, durante e após o Novo Normal. Espero ter contribuído com algumas ideias e soluções.


Obrigado por ler os artigos da Zapt Tech! Se desejar entender mais sobre as tecnologias de posicionamento indoor, monitoramento de ativos, pessoas e contatos, fale comigo através do e-mail bruno@zapt.tech. Será um prazer…

Bruno Carneiro

Bruno Carneiro é sócio e CTO da Zapt Tech. Formado em Ciência da Computação pela PUC-Minas, tem mais de 15 anos de experiência em desenvolvimento e arquitetura de software, em projetos nacionais e internacionais. Desde 2016, se dedica exclusivamente à pesquisa, desenvolvimento e implantação das primeiras soluções de Indoor Positioning no Brasil.